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terça-feira, 18 de junho de 2013

Mordomia das Riquezas


O dinheiro nem sempre existiu. Por muito tempo, as relações comerciais eram feitas na base da troca, do escambo de mercadorias. Na América do Sul, por exemplo, utilizavam-se sementes de cacau para realizar trocas. Acredita-se que o surgimento da moeda metálica como dinheiro se deu apenas no século 7 aC.

Por ser o ativo mais líquido que existe, o dinheiro trouxe benefícios incontáveis para o desenvolvimento da humanidade. Você pode imediatamente trocá-lo por qualquer coisa, em qualquer lugar, em qualquer momento. Ou, como diria aquele famoso filósofo carioca, Paulinho da Viola, “dinheiro na mão é vendaval”.

No período da República, o Brasil teve 9 moedas, entre idas e vindas e muitos cortes de zeros. Hoje em dia, o dinheiro é eletrônico. Ainda assim, atualmente, há quase 600 milhões de cédulas de R$100,00 em circulação. Isso significa que você deveria ter pelo menos 3 notas dessas na sua carteira.

E a Bíblia, o quê ela nos diz sobre o uso das nossas riquezas?

1 - Tudo pertence a Deus: “Assim direis a vossos senhores: Sou eu que, com o meu grande poder e o meu braço estendido, fiz a terra com os homens e os animais que estão sobre a face da terra; e a dou a quem me apraz.Jr 27.4-5. (outros textos: Sl 24.1; 1 Cr 29.11,12; )
Todos os nossos bens, riquezas, família e nosso próprio corpo pertencem a Deus. Dele vem nossa força e saúde para trabalharmos e angariarmos riquezas (Dt 8.18) e todo o direito de propriedade pertence a Ele.


2 - Somos despenseiros de Deus. “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar.Gn 2.15. A nós, nos foi dada a responsabilidade da mordomia, ou seja, da boa administração de bens e poderes de propriedade de Deus, cuja posse nos foi dada por Ele próprio. Nada, de fato, nos pertence, mas tudo foi colocado sob nossa responsabilidade, como servos, ou mordomos. Como bons mordomos dos bens materiais que nos foram confiados, precisamos:


A - Entregar os dízimos:Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.” 2 Co 9.7. Como bons mordomos, devemos ter prazer no sustento da obra do Senhor, em especial dos que se dedicam à pregação da Palavra. Diferentemente do que apregoam alguns líderes religiosos, invariavelmente ricos, o dízimo não se restringe ao período do Antigo Testamento, mas antes, se amplia, de forma que além de devolvê-lo, precisamos fazê-lo com alegria no coração.


B - Pagar impostos:Mestre, é lícito ou não pagar o tributo a César? Então lhes disse Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” Mt 22.15-22. Como bons mordomos e cidadãos de duas pátrias, precisamos nos submeter às autoridades instituídas por Deus (Rm 13.1-7), o que significa, entre outras coisas, pagar todos os nossos impostos devidos. Nem sempre concordamos com o uso que o governo faz do dinheiro de nossos impostos, o que certamente nos dá espaço para protestar democraticamente contra os desvios morais dos governantes. Mas ainda assim, temos nossa obrigação com eles diante do Senhor.


C - Suprir as necessidades da nossa família. “Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo.” 1 Tm 5.8. Devemos usar nossos bens para cuidar materialmente da nossa família, suprindo suas reais necessidades. Atente para o quão grave é fugir dessa obrigação: o apóstolo Paulo nos diz que não cuidar da nossa própria família nos torna pior do que os incrédulos, ou seja, aqueles que odeiam a Deus e militam contra Ele.


D - Minorar o sofrimento do próximo, principalmente dos da família da fé.Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade.” At 4:34-35.
Insto você a não entender essa passagem de forma equivocada! Ela nada tem a ver com comunismo. Muito menos com comunismo cristão, porque tal ideia encerra um paradoxo. Os crentes com mais posses, ao ver seus irmãos necessitados, sentiam o coração arder de amor cristão e voluntariamente entregavam parte de seus bens para ajudar os mais pobres. Isso vem de encontro com a afirmação do famoso escritor das Crônicas de Nárnia:
“A única regra segura é dar mais do que você pode dispensar. Nossa caridade deveria nos deixar apertados e em dificuldade. Se vivemos no mesmo nível de conforto que outras pessoas com o nosso mesmo nível de renda, provavelmente estamos dando muito pouco.CS Lewis.
Veja, ainda, que isso não legitima algum tipo de Bolsa-Igreja também, pois “se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Ts 3:10).


E - Ter plena comunhão: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne.” Gn 2.24. E parafraseando as Escrituras, deixará o homem seu pai e sua mãe, se unirá a sua mulher, e serão um só bolso. Isso significa não haver espaço para o seu dinheiro, a minha conta, os seus gastos no cabeleireiro. No casamento, há apenas o nosso dinheiro, nossas despesas, nosso patrimônio.


→ Princípios Norteadores:


1o - Honestidade: Em Pv 11.1 vemos que “a balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer”. Assim, a honestidade é virtude que deve permear toda a vida do cristão na forma como ele lida com o dinheiro. Alguns exemplos práticos: não faltar no trabalho sem motivo e nem procrastinar trabalho para fazer qualquer outra coisa; não pagar a um funcionário menos que o justo pelo trabalho realizado; não se aproveitar da ignorância de outrem para fazer dinheiro, como em esquemas de pirâmide, Telexfre; tomar empréstimo sem ter condições de pagá-lo; desviar verbas de um fim para outro; mentir na declaração de imposto de renda, etc.


2o - Frugalidade: É uma típica virtude puritana, significa não desperdiçar nossos recursos, mas usá-los de forma econômica e sem esbanjamentos ou extravagâncias. Significa aprender a viver com o mínimo necessário e ainda fazer o dinheiro multiplicar, investindo-o com sabedoria, como na Parábola dos Talentos (Mt 25.14-30). Por isso, saiba quanto você ganha. E mais importante ainda: saiba quanto você gasta! Crie uma planilha onde possa colocar todos os seus gastos e fazer o acompanhamento mensal. O Google Drive conta com várias opções gratuitas de planilhas com gráficos e outras funções que podem ajudar. Descobrir quanto gasta por mês com café, por exemplo, pode ser uma experiência transformadora!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Problema do Mal


O mal faz parte da realidade. Faz parte da experiência humana.  O mal é uma força desumanizadora, destruidora, corruptora, degradante. É a causa das maiores mazelas e sofrimentos dos seres humanos. Se você tem um molho de chaves consigo, agora mesmo, isso evidencia que você reconhece a existência de algo que seja mal : ). Todos nós o experimentamos e sentimos sua agudeza. Ele se manifesta em níveis diferentes e em graus de intensidade diferentes.

Os efeitos do mal podem ser sentidos na experiência individual e existencial nas lutas, dificuldades, agruras, dilemas, angústias, crises, sofrimentos, enfermidades e perdas que todo indíviduo experimenta. Podem também ser experimentados pela consciência coletiva, de forma conceitual.

O mal pode ser resultado de desastres e catástrofes no mundo: Maremotos, Terremotos, Tsunamis. A história é pródiga em registrar essas diversas categorias da operação do mal (por assim dizer). Foi Raimond Queneau quem disse que “a história é a ciência da infelicidade do homem”. Em boa medida, há justiça nesta afirmação. Já o historiador britânico Gibbon, disse que “a história é um pouco mais que o registro dos crimes, loucuras e infortúnios da humanidade”. Alguns poucos exemplos:
  • Em 1319  o Vulcão Etna ceifou as vidas de mais de 15.000 pessoas de Cetânia.
  • Neste mesmo período, na baixa idade média, 2/3 da população mundial caiu diante da peste bubônica, a peste negra.
  • Em 1755, aconteceu o infame terremoto de Lisboa, que destruiu a cidade e matou milhares de milhares.
  • Em 1918 a chamada Gripe Espanhola matou de 50 a 130 milhões de pessoas no mundo todo.
  • Em 2004, o Tsunami que atingiu o cosa da Ásia produziu ondas gigantescas que atingiram mais de 800kmh e produziu o efeito de 1000 bombas atômicas, matando 175 mil pessoas
  • Em 2010 ouvimos falar do Terremoto que devastou o Haiti, matando Pelo menos 200 mil pessoas morreram, 300 mil ficaram feridas, 4 mil foram amputadas. Há um milhão de desabrigados. 

Mas há aquele mal que é resultado da degradação moral do homem, da conduta humana, como: deslealdade, corrupção, desonestidade, engano, mentira, indiferença, destruição, violência, assassinatos, guerras, genocídios, etc.

No Brasil tivemos a infame experiência da escravidão, que silenciou milhares de vidas – mas que foi uma fração perto do que a escravidão causou a tantos milhões de vidas, por vários séculos, em outras nações do mundo. Mas as guerras e revoluções causaram danos ainda mais extensos. Existem estimativas que apontam para o fato de que nos últimos 4000 anos, temos menos de 300 sem uma grande guerra, conforme aponta John Blanchard eu seu livro sobre o problema do mal. 

A Primeira Guerra Mundial trouxe destruição de diversas nações e matou mais de 30 milhões de pessoas. Pouco mais de 20 anos após o término desta guerra horrenda, acontece outra ainda pior, cujos números são difíceis de se estimar. Os judeus exterminados de modo cruel  a mando de Adolf Hitler chegam ao impressionante número de 6 milhões. Mulheres, crianças e idosos eram mortos 24 horas por dia, todos os dias, nos infames campos de concentração. Eles foram desumanizados e assassinados de um modo que desafia a imaginação mais perversa que o homem pode produzir.

Outra revolução, esta travestida de uma ideologia que, em tese, busca o “bem social”, foi responsável pela morte de milhões de pessoas nos últimos 70 anos – a revolução comunista, que se manifestou em lugares e épocas diferentes. Stéphane Courtois registra em seu “Livro Negro do Comunismo” uma história de crime, terror, degradação e morte. Ele disse em certo ponto de seu livro que "…os regimes comunistas tornaram o crime em massa e o terror uma forma de governo". Suas estimativas apontam para quase 100 milhões de mortos pelo sistema do “bem comum”. O livro revela dados assustadores.

Algumas dessas mortes são muito bem documentas, como as atrocidades da Revolução Cultural na China de Mao Tsè Tung, que chegava a matar 22.000 pessoas por mês; ou ainda os 1.500.000 de pessoas mortas pelo ditador Pol Pot, do Camboja, nos anos 1970. Em Cuba, foram pelo menos 150 mil os executados pela Revolução liderada por Fidel, seu irmão Raul e o companheiro “Gue Vara”- este último, celebrado como herói em posters e camisetas que tentam expressar algum valor ou ideal através da imagem do homicida.

Destaco aqui, neste parêntese que faço sobre o mal manifestado pela ideologia, um trecho extraído do “Livro Negro do Comunismo”:
Em seu requisitório em Nuremberg, François de Menthon, procurador geral francês, destacava a dimensão ideológica dos crimes: 
“Proponho-me a demonstrar-lhes que toda criminalidade organizada e sistemática decorre do que me permitirei chamar de crime contra o espírito, quero dizer, de uma doutrina que, negando todos os valores espirituais, racionais ou morais, sob os quais os povos tentaram há milênios fazer progredir a condição humana, visa a devolver a Humanidade à barbárie, não mais a barbárie natural e espontânea dos povos primitivos, mas a barbárie demoníaca, já que consciente dela própria e utilizando para os seus fins todos os meios materiais postos à disposição dos homens pela ciência contemporânea. Esse pecado contra o espírito é a falta original do nacional-socialismo da qual todos os crimes decorrem.
O mal existe! Mas não é, todavia, um imperativo absoluto. Não é uma força absoluta. Na fé cristã, o único ser absoluto é Deus.

Definindo o Mal:
No cinema, Christopher Nolan foi feliz em conceber o personagem do “Coringa”em seu segundo filme da trilogia do Batman, como a personificação do mal: não tem origem, não tem ambições pessoais, é destituído de qualquer senso de dignidade e moral, age de modo aparentemente aleatório, causa destruição, medo, terror e extrai o que há de pior aos que o cercam. Parece que o diretor entendeu bem como o mal opera.

Mas definir o mal é uma tarefa espinhosa. Agostinho de Hipona elaborou a ideia de Plotino e definiu o mal como o não bem, ou privação do bem – assim como as treveas são a ausência de luz. Agostinho não via substância no mal e o considerava uma “perversão da vontade desviada da substância suprema” – sendo que esta substância suprema é o Deus das Escrituras Sagradas, o Criador de todas as coisas. Agostinho defende que o Deus cristão é o bem absoluto, a verdade absoluta e summun bonnum, o bem supremo – um bem que é absoluto e incorruptível. Edwards segue esta linha ao defender que, para ser Deus é preciso ser perfeito – pois a imperfeição implica em degradação, envelhecimento e decadência – e, sendo perfeito, não pode haver nele o mal e nem a sujeição ao mal. Todavia, somente Deus é o bem supremo, as coisas criadas, o mundo, está sujeito a corrupção porque sua bondade não é absoluta, é derivada – não poderia haver corrupção se fosse sumamento boa, mas para haver corrupção tem de ser boa.

Ettiene Gilson, ao comentar o problema do mal em Agostinho, conclui que “o mal não pode ser concebido for a do bem”. Afinal, é a compreensão do que é bom que nos permite entender, mensurar e valorar o mal.
Mas o mal também não deve ser definido em termos unicamente negativos. Alan Besainçon, em sua pequena pérola da literatura “A Infelicidade do Século”, que trata dos horrores dos regimes comunista e nazista, não se satisfaz com a definição de Plotino, que dizia que o mal é a ausência do bem. Ele diz “  Parece-me que esta definição não dá conta do horror que se apoderou das pessoas diante do que o comunismo e o nazismo lhes infligiram”.

Ele não torna o mal uma entidade absoluta, mas aponta para sua transcendência para entendê-lo. Diante do mal pelo mal, a saída de muitos daqueles que foram afetados pela violência causada pelos homens com uma cartilha ideológica na mão, segundo Besaiçon, foi acreditar em uma ordem sobre-humana, uma influência maligna.

Por que?
Mas, diante de crimes e atrocidades como estas – e tantas outras, que vemos, ouvimos e vivemos todos os dias – é justo que façamos perguntas. Somos seres morais  e somos capazes de atribuir valores a essas coisas. Nós as rechaçamos. Nós as rejeitamos. Nós as repudiamos. Nós as consideramos vis e perversas. Isso é atribuir valor ao mal. Nele não há virtude, não há beleza, não há direito, não há justiça, não há candura, não há. (Embora, segundo a premissa de certas filosofias, essa valoração moral não faz sentido algum, pois, há algumas cosmovisões que ao propor que Deus não existe e que o homem é um acidente cósmico, reduzem a humanidade a um conjunto de átomos. Um certo ateu disse, que o ser humano é uma espécie de lodo cósmico. Ou Bertrand Russel que disse que o homem é um acidente curioso em água estagnada).

A indignação com a violência é também uma busca por respostas. Elie Wiesel, judeu sobrevivente do Holocausto, perguntou onde estava Deus no meio daquele terror. Ele afirmou que o Holocausto “matou seu Deus, matou sua alma e reduziu seus sonhos a nada”.  O cético David Hume, foi ainda mias ousado quando disse em sua obra “Concerning Natural Religion”: "Se Deus está disposto a impedir o mal, é o caso de Ele querer impedir o mal, mas não ser capaz de fazê-lo? Neste caso ele é impotente. Ele é capaz, mas não está disposto? Então ele é malévolo. Ele é capaz e está disposto? Por que, então, o mal?".

O que desejamos demonstrar é que a fé cristã é a única que oferece respostas ao problema do mal. Não tanto por explicar os meandros de sua origem, mas, muito mais, por oferecer esperança. À parte das Escrituras sagradas,  e veremos isto sendo apresentado de forma mais apropriada pelos palestrantes que seguem, não resta nada senão o desespero. A Bíblia é a única que oferece uma saída, uma luz e alento. Àqueles que sofrem e se indignam com o mal, que saibam que Deus também se indigna, todos os dias, com a impiedade do homem, conforme é registrado nas Escrituras. 

É importante também dizer que os personagens bíblicos também lutaram com o problema do mal. O Salmo 37 e 73 são textos clássicos que trabalham a questão e apresentam o homem clamando por respostas e saída. O livro de Jó é uma das mais belas peças da literatura bíblica e apresenta-nos em perspectiva uma série de eventos trágicos acontecidos na vida de um homem bom e íntegro. Vemos como ele lida com as acusações de ser o responsável por sua desgraça, como ele reage ao mal que lhe foi infligido e como ele interage com Deus nesse torvelinho. Temos ainda o livro de Habacuque, que expõe a indignação do profeta por causa da impiedade. Ele questiona a Deus e, no processo, compreende a soberania de Deus em todas as coisas. Ele conclui dizendo que festeja, que se exulta em Deus.

Sim, a Escritura oferece respostas. Oferece respostas ao mal que habita em nós – nós que somos muitas vezes indignados pelo mal ao nosso redor e fazemos pouco para lidar com o mal que nos aflige e nos humilha tantas vezes – sim, as Escrituras lidam com o mal nosso de cada dia. Lida também com o fim do mal. A Escritura sagrada, a fé cristã oferece uma mensagem de esperança escatológica.

Quero encerrar lembrando que o próprio Deus das Escrituras, na pessoa de Jesus Cristo, foi vitimado pelo mal. Ele mesmo sendo bom, justo, verdadeiro e trazendo uma mensagem de amor, foi injustiçado, caluniado e assassinado. Aquele que é a própria vida teve sua vida tirada. A luz, experimentou as trevas. O summum bonum sentiu a agudeza da maldade. O sol da justiça foi injustiçado. Deus foi assassinado. Mas a Escritura diz que ele ressurgiu. Ressuscitou e vive. Governa. Transforma. Instrui. Conduz. Ilumina. Resgata.

Quem vive ou viveu medo, terror, violência, decepção, que saiba ter em Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, alguém que experimentou as mesas coisas e simpatiza com o nosso sofrimento. Mas, mais do que isso, Jesus venceu o sofrimento. Venceu a morte. Venceu o terror e o mal. Ele vindicará todo mal cometido pelos homens e fará justiça. Ele estende a mão vencedora a todos quantos crerem no nome dele. Foi ele quem disse: "No mundo passareis por aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo."

Christus Victor!

Por Tiago Santos
Editor-Chefe da Editora Fiel


O texto acima é o esboço de uma palestra oferecida em 2 de agosto na livraria Cultura, no shopping Market Place em São Paulo, em um evento organizado em conjunto pelas editoras Fiel, Vida Nova e Hagnos. Os demais palestrantes foram Franklin Ferreira e Luiz Sayão, que falaram sobre o tema "O Problema do Mal". O auditório estava lotado. A capacidade era de 90 pessoas, mas havia cerca de 130 pessoas

sábado, 21 de abril de 2012

OS DOIS CAMINHOS DA VIDA


Existem dois caminhos da vida: o caminho da natureza e o caminho da graça. E você deve escolher qual deles quer seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Ela aceita ser rejeitada, esquecida, desprezada. Ela aceita ser insultada, magoada, ferida. A natureza tenta agradar a si própria. Ela gosta do poder. De ter suas próprias escolhas. E encontra motivos para ser infeliz, enquanto o mundo brilha ao seu redor. E o amor sorri para todas as coisas. Ensinaram-nos que ninguém que ama o caminho da graça, nunca tem um final infeliz.  E a ser fiel, não importa com o que acontecer.

Não devemos temer nenhum mal. Não temo nenhum mal, por que Você está comigo. Você não está longe de mim quando há algum problema. É difícil compreendermos a razão, mas Você não fala pela razão, e sim pelo coração. A vida será sempre difícil e o homem luta e se debate contra suas duas naturezas, e sofre. Sofre por que é arrogante, porque dentro de si jaz um inferno. É cruel dizer isso, mas é a verdade. As pessoas se vão, nada fica igual. E o homem se destrói, e continua cheio de perguntas. E Deus envia moscas às feridas que Ele deveria curar. Então o homem se lembra de quantas vezes devia ter se arrependido, cessado com sua alto-flagelação.

A natureza nasce em nós. Ela é intrínseca, desde o primeiro fôlego de vida. Mas e a graça? Como veio até mim? Em qual forma? Em qual disfarce? Pessoas, livros, músicas... De quantas maneiras diferentes você poderia ter escolhido vir até mim? E eu continuo aqui, vendo o mundo se acabar em ganância, e as pessoas estão ficando piores. Você falou comigo através do céu, das árvores, através da minha mãe. Antes que eu soubesse que eu te amava, eu acreditava em Você? Quando você tocou meu coração pela primeira vez? E eu saí a lutar corajosamente por sua bandeira, contra o pecado, o mundo e o demônio.

Onde você vive, você O vê? Olhe seus sonhos. Você planeja acontecer, espera, e algo entra em seu caminho. Foi-se a vida. Já viveu. Pensamos que os infortúnios acontecem apenas com pessoas que fazem coisas erradas e tolas, e o Senhor as pune por isso. Mas estamos errados. A adversidade também acomete aos bons. E não podemos nos proteger contra isso. Um dia, simplesmente, desapareceremos como uma nuvem, como uma brisa. E murcharemos como a grama no outono. E como uma árvore, nós somos arrancados.

A natureza é inquieta, mas não quer se mover. Quer ter seus próprios caminhos, ser poderosa. Mas o caminho da graça diz que não podemos ficar onde estamos. Devemos seguir adiante. Temos que achar Aquilo que é maior do que qualquer fortuna ou destino. Nada nos trará paz, além disso.
Mas a natureza diz para olharmos para o homem. É o corpo do homem sábio, ou justo, exímio de qualquer dor? De qualquer inquietação? Da deformação, que pode destruir sua beleza, ou da doença que pode destruir sua saúde? Você confia em Deus? Por que não há lugar no mundo para se esconder, onde os problemas não o encontrarão.  Ninguém sabe quando a tristeza vai bater a sua porta.

O caminho da graça estava presente na vida de Jó. No momento em que tudo foi tirado de Jó, ele sabia que foi o Senhor quem havia tirado. Então ele parou de se preocupar com as coisas passageiras. Ele procurou aquilo que é eterno. E o caminho da natureza deixa as pessoas equivocadas. E pessoas erradas ficam famintas. Morrem. Pessoas erradas são amadas. Esse caminho faz coisas erradas, insulta pessoas, não se importa. Diz pra você “seja rico”, “seja você mesmo”, ”tenha o controle do seu próprio destino.” Ele coloca homens uns contra os outros.

A graça te liberta. Diz para amar a todos, para ver cada folha, cada raio de luz como um presente. Mas o homem tem medo, medo de confiar, de se render. A verdade é que somos todos como crianças. Defenda, Oh Senhor, essa criança com tua graça celestial. Assim ele pode continuar pra sempre Teu. E teu Espírito Santo aumente cada vez mais... Até que ele venha ao Teu reino eterno. 

O homem sabe que não faz o que quer, mas aquilo que odeia, o faz. Eu faço o que odeio. Eu nem sei como nomear meus pecados. Mas direi que foi Você que me chamou... Sempre me chamava. Eu sempre quis ser amado, por que isso era ótimo. Mas eu não sou nada. Eu vivia em vergonha, desonrei tudo, não reparei na Sua glória. Era um homem tolo. Olhe a glória ao nosso redor.  A verdade é que essas duas naturezas sempre estão brigando em nosso interior. Sempre estarão. Até Te encontrar.

A vida é passageira. Você vai ficar aí parado, como um idiota? A única maneira de ser feliz é amar. Se você não amar, sua vida passará frente aos seus olhos, como um flash. 

Seja bom. Admire. Acredite. Proteja-nos, guia-nos, até o fim da vida. Esteja conosco.
Senhor.
Criador.
Salvador.

Inspirado no filme Árvore da Vida, de Terrence Malick.