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terça-feira, 6 de novembro de 2012

E.T. O EXTRATERRESTRE


E.T. O Extraterrestre


1982. Seres meigos. Dedos luminosos. Naves fumacentas. Bicicletas ao luar. "Telefone". "Minha casa". Alguns elementos jogados são suficientes – cenas inteiras voltam à memória, arrepia a lembrança daqueles momentos de emoção. No mundo do cinema, assim se reconhece um clássico, quando algumas expressões bastam para tornar o filme imortal. Faz trinta anos que Steven Spielberg remodelou a fantasia no cinema. Os adultos de hoje aprenderam, há três décadas, a serem mais solidários, mais companheiros. Faz exatos trinta anos que o tocante E.T. - O Extraterrestre (E.T. the Extra-Terrestrial) foi exibido pela primeira vez. (Introdução de Marcelo Hessel, do excelente omelete.com.br)

Se em 1977, após o sucesso estrondoso de "Tubarão" e da magia ficcional de "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", Steven Spielberg já era um dos diretores mais respeitados em Hollywood, a década de 80 veio só para colocá-lo entre os maiores de todos os tempos, afinal. Ora, "E.T - O Extraterrestre", de 1982, é um clássico indispensável e uma revolução muito pessoal de Spielberg. Se, até então, alguém duvidava do talento do cineasta, "E.T." está aí (há 28 anos) para derrubar tais crenças.

Simplificando a sinopse, Elliott (Henry Thomas) é um garoto que vive com a mãe (Dee Wallace), o irmão mais velho (Robert MacNaughton) e a irmã pequena (Drew Barrymore). Uma noite, o menino ouve barulhos estranhos e imagina que há algo diferente acontecendo na garagem de sua casa. Embora amedrontado, Elliott decide ir investigar o que está causando os barulhos e tem uma enorme surpresa: encontra um extraterrestre. Depois do susto do encontro, o garoto e o alienígena começam a fazer contato e acabam se tornando amigos. Agora, Elliott e seus irmãos terão como desafio fazer com que E.T., como foi apelidado o novo hóspede, volte para seu planeta natal. Mas as coisas vão ficar mais complicadas quando agentes federais, que estão atrás do extraterrestre, cruzarem o caminho dos garotos.

Mas o filme se torna singular por três motivos: Primeiro, porque acontece em um bairro comum com pessoas comuns; segundo, porque o E.T. da história não é apavorante – ao contrário, é fofo e adorável; terceiro porque é um filme feito para toda a família. Junte esses elementos a um roteiro e direção geniais e você tem um filme de ficção científica amado e inesquecível. É empolgante o desenrolar da história em um fundo tão simples e verossímil dentro dos olhos infantis e ingênuos do protagonista.



Com algumas cenas desconcertantes, como o primeiro vôo de Elliot e E.T. com a bicicleta e uma trilha sonora arrepiante e criativa, Spielberg consegue criar uma obra única ao mostrar a história pelos olhos de uma criança com uma ingenuidade e carisma natural, ao mesmo tempo em que se distancia daquela despojada e descrente visão adulta. Um dos maiores trunfos de Spielberg foi a escolha do elenco infantil. É nele que toda a história se sustenta. Claro, o roteiro de Melissa Mathison é muito bom, mas as pessoinhas interpretadas por Henry Thomas (ótimo), Peter Coyote, Robert MacNaughton e Drew Barrymore roubam a cena.



Quando for assistir ao filme novamente, aproveite para notar a beleza do céu de estrelas no início; a nave que parece ter surgido da sua imaginação, seguida pelos aliens explorando calmamente a Terra. Observe, também, as sombras dos homens com lanternas, o grupo de homens caçando o E.T. como se marchassem. E o clima do filme, que mostra noites nubladas e com algum ponto de luz para contrapor a escuridão e instigar a imaginação.

Os trechos clássicos e inesquecíveis vão se acumulando ao longo da projeção. Spielberg tem momentos de pura genialidade como na cena icônica dos garotos voando de bicicleta com a lua ao fundo, todos levados ao ar graças aos poderes de E.T., obviamente. O longa mistura muita emoção, diversão, ação, contos de fadas e tudo isso é conectado pelo estilo de direção de Steven. Aqui, o diretor mostra finalmente toda as suas principais características como profissional do cinema.



"O filme tem uma importância incontestável para a história do cinema. Foi o blockbuster da época e também conquistou a crítica de um cinema mais autoral, como a de Cannes. O diretor conseguiu transformar uma criatura estranha em adorável, vista pelo ângulo puro e moral das crianças", explica o editor da "Revista Cinética", Fábio Andrade. “E.T” estreou nos Estados Unidos em 11 de junho de 1982, poucos dias após ser apresentado no Festival de Cannes,  entre os aplausos da crítica e do público. A produção foi um sucesso de bilheteria e recebeu nove indicações ao Oscar - entre elas as de melhor filme, direção (Steven Spielberg) e roteiro – levando quatro prêmios: melhores efeitos especiais, melhores efeitos sonoros, melhor som e trilha sonora original, com a inesquecível composição do fenomenal John Williams.

(cena clássica - link) - http://www.youtube.com/watch?v=7OuUA8XHIdQ 

No entanto, o filme tem espaço em nossa memória não pelos prêmios merecidamente conquistados, mas pelo fato de, trinta anos após sua estréia, o filme ainda ter a pureza e emoção para fazer com que uma criança de cinco ou seis anos se emocione com a história. A cena antológica do vôo das bicicletas representam o abandono da comodidade e medos típicos de um homem adulto, representando a coragem de seguir em frente e encarar nossos medos e decisões, quando, corajosamente, prosseguimos em um salto de fé rumo a maturidade.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CONTA COMIGO - STAND BY ME (1986)



"Nunca mais tive amigos iguais aos que tinha aos doze anos. Jesus, será que alguém tem?"





Ha vinte e seis anos era lançado nos cinemas, sob a direção de um então novato Rob Reiner ( também diretor de Harry e Sally, Fantasmas do Mississippi e Antes de Partir) o filme Stand By Me, com roteiro adaptado do conto "O Corpo", retirado do livro "As Quatro Estações" do escritor Stephen King, cuja história é também a sua obra mais pessoal: tudo remete claramente a uma fase de sua vida; seu irmão morto em um acidente de carro, o fato de o personagem principal ser um escritor famoso quando velho e diversas outras metalinguagens pessoais.




O filme conta a estória de Gordie Lachance (Richard Dreyfuss – Will Wheaton), um escritor, que recorda quando tinha entre doze e treze anos no verão de 1959, quando vivia em Castle Rock, Oregon, uma localidade com 1281 habitantes que para ele era o mundo inteiro. Gordie tinha três amigos inseparáveis: Chris Chambers (River Phoenix), Teddy Duchamp (Corey Feldman) e Vern Tessio (Jerry O'Connell). Chris era o líder natural deste pequeno grupo, mas a família dele não era boa e todo mundo sabia que ele ia se dar mal na vida, inclusive ele. Teddy era emocionalmente perturbado, pois o pai tinha acessos de loucura, inclusive chegou a colocar a orelha de Ted no forno. Vern era o mais infantil do grupo, quem os outros adoravam tirar sarro. Tentando achar um vidro cheio de moedas que tinha enterrado, Vern ouviu por acaso seu irmão e um amigo falando onde estava o corpo de um garoto – Ray Brower - que tinha ido colher amoras há três dias e nunca mais tinha sido visto. Os garotos queriam achar o corpo, pois vislumbravam a possibilidade de se tornarem heróis. Cada um deu uma desculpa em casa e partiram para tentar encontrar o corpo. Nenhum deles tinha idéia que esta viagem se transformaria em uma jornada de autodescoberta que os marcaria para sempre.



O filme é uma grande jornada de aprendizado, mas a ênfase fica na aventura - a aventura da amizade sobretudo- e em tudo o que para esses jovens é descoberta do mundo. Com um roteiro simples, dialogos articulados e cenas muito bem trabalhadas e produzidas o filme consegue transmitir todas as principais lições de vida do livro de Stephen King. Uma das provas disso é que o filme se passa em 1959, mas sua mensagem pode ser captada por qualquer um que tenha tido uma boa infância e sabe da saudade que bate de cada coisa que fizemos nessa fase tão especial de nossas vidas. 

Rob Reiner consegue ir além de colocar o telespectador como mero observador: Involutaria e naturalmente, ao longo dos acontecimentos, questionamos diversos pontos de nossas vidas através do olhar ingênuo e sincero dos personagens, e, de maneira autentica e poética,  submergimos numa fantasia aparentemente comum, mas que marcou como uma enorme aventura cheia de ação e suspense num mundo que fazia total sentido para nós. E mesmo sendo um drama com uma melancolia dedilhada, o filme se mantém em uma linha tênue de sensibilidade, onde os personagens caminham cuidadosamente dentro do perfil traçado originalmente pelo escritor e ao mesmo tempo, conseguem desenvolver-se com muita liberdade na caracterização do personagem de maneira visual.

O filme consegue ser tocante no ponto certo desde a sua cena inicial, quando Gordie, agora adulto, lê em seu carro a notícia sobre a morte do “famoso advogado” Chris Chambers, seu grande amigo de infância, e se emociona ao ver dois garotos andando de bicicleta, fazendo com que todas às suas lembranças da juventude voltem à sua cabeça em um fluxo de consciência. Isso não acontece conosco? Ás vezes nossas vidas andam tão cheias, que esquecemos o quanto é bom relembrarmos os bons momentos de nossas vidas.




Dentro desse ponto, somos atirados à memória de Gordie em sua conturbada infância. Mesmo com a falta de perspectivas quase que geral em relação à Gordie e seus amigos, juntos, eles eram felizes como adulto nenhum é. O filme mostra com eficiência o quanto é pura a amizade entre os jovens, marcada por inocência e sinceridade, que todos sabem que um dia irão se extinguir. Da mesma forma que as amizades de infância ficam marcadas, mas são muito difíceis de serem cultivadas até a idade adulta. Gordie, Chris, Teddy e Vern, mesmo com personalidades completamente diferentes, eles eram almas que se completavam. As interpretações, distintas e complexas, se mostram incrivelmente coesas dentro da história, cativando o observador. È impossível não se identificar com pelo menos um dos quatro garotos do filme, que por sinal, são interpretados com maestria pelos jovens astros. A química demonstrada entre eles é tão verdadeira, que parece que eles realmente são amigos de longa data.




A aventura de ir em busca de um corpo não encontrado pela polícia e a possibilidade de encontrá-lo e se tornarem heróis, é a representação dos sonhos de qualquer jovem de querer aparecer, de poder tudo. Algo semelhante a um aluno com fama de burro responder a uma pergunta difícil na sala de aula, em frente a todos. O jovem sente a necessidade de viver com emoção cada momento da vida, antes que seja tarde demais. Agindo da forma que lhes convém e achando que assim adquirem superioridade e independência, sentem todo o poder ao invadir um local proibido ou simplesmente fumar um cigarro. 

O filme mostra com delicadeza todas essas sensações de ser jovem. Há um ponto interessante a ser aprendido, de ressaltar o espírito de ser criança que pode ser uma importantíssima lição para os jovens precoces de hoje, quando um dos personagens faz uma linda menção ao fato de ser criança, já que ele “vai viver apenas uma vez essa fase em sua vida”. E é isso mesmo, fazer coisas simples, com pouco dinheiro, mas que rendam milhares e milhares de histórias e saudades no futuro. Um dos grandes trunfos do filme é nos fazer sentir saudade de quando éramos crianças, de quando não tínhamos preocupações e como era gostoso simplesmente descobrir tudo, exatamente como seus personagens na história.

Contrastando com esse espírito de ser jovem e aproveitar cada momento dessa fase há a personificação de uma geração: no começo do filme, somos apresentados aos personagens enquanto eles fumam, jogam baralho e falam sobre coisas de gente grande. A pressa em crescer sempre foi uma das características dos jovens, mas ao traçar esse paralelismo, o filme ganha força principalmente ao provar a ingenuidade dos garotos no final, quando eles encontram o corpo (não estou estragando nenhuma surpresa, afinal, uma das primeiras frases do filme diz que eles realmente encontraram o corpo).



O diretor e os roteiristas conseguiram imprimir nos personagens dentro da história, a pureza e honestidade necessária para demonstrar que a aventura em busca de um corpo que, inicialmente, era um caminho para a fama, mostrando-se um caminho complexo, divertido e emocionate de autoconhecimento e maturidade. Esse é um ponto importantíssimo – não há a esperada consagração dos personagens, mas sim uma violenta sequencia para a realidade, para a morte, para a sensação de estarmos vivos e testemunhando a história. É um crescimento forçado pela situação, cru e real. Todos mudam com a experiência da viagem, principalmente nós, que estamos assistindo-a.

A mensagem final é tão simples e honesta, tão verdadeira e atual, que desmonta o espectador: A importância da amizade geralmente só é encontrada quando essa deixa de existir. E encontrar amizades sinceras, como as que temos quando jovens, fica cada vez mais difícil. Com uma beleza sui generis, o filme nos brinda com lindas paisagens e, ao fim, vemos um Gordie – agora adulto e escritor – lembrando-se com um amor genuíno o verão de 1959 e indagando a si mesmo, depois da morte de Chambers e do distanciamento natural de Teddy e Vern: "Amigos entram e saem de nossas vidas como pessoas que entram em um restaurante." E eles simplesmente se vão. A ultima frase de Gordie nos toca profundamente: "Nunca mais tive amigos iguais aos que tinha aos doze anos. Jesus, será que alguém tem?" De fato, encontrar amizades sinceras é algo bastante improvável. Nem toda amizade é eterna, principalmente as de infância que cicatrizam, mas são difíceis de serem cultivadas até a fase adulta.

Nenhum filme retratou de forma tão gostosa como é época em que somos mais jovens, aprendendo a conhecer o mundo e quanto ver as amizades nessa época são as mais verdadeiras. O fardo que cada um carrega, a esperteza que esconde a inocência e inexperiência, as conversas sobre "assuntos importantes", a vontade de ser alguém no futuro mas de se dar ao luxo de não ser nada mais que um garoto de doze anos. O olhar melancólico, saudosista do narrador sobre aquele período de sua vida é apaixonante. Você se vê envolvido num sentimento alheio, e toma aquilo como seu. São seus amigos, sua saudade. É incrível.




domingo, 20 de maio de 2012

Festival de Cannes 2012 - Resumo dos Quatro Primeiros Dias


"Declaramos aberto o 65ª Festival de Cannes", declarou Anderson, acompanhado dos atores Edward Norton, Bruce Willis, Bill Murray, Tilda Swinton e Jason Schwartzman, além das crianças Kara Hayward e Jared Gilman, atores de "Moonrise Kingdom", um filme lúdico e melancólico que estreou no festival. A franco-argentina Berenice Bejo tinha dado antes as boas-vindas aos 3.000 convidados para a cerimônia de abertura do maior Festival de cinema do mundo, que reunirá durante 12 dias a realeza de Hollywood e gigantes e jovens talentos do cinema.

Vestida de vermelho, Bejo, designada mestre de cerimônias do Festival de Cannes - que no ano passado a recebeu como a desconhecida intérprete do filme mudo em preto e branco "O Artista", que começou ali uma carreira de triunfos mundiais - apresentou os membros do júri, presidido pelo cineasta italiano Nanni Moretti.Moretti, que foi recebido com aplausos de pé, destacou a atitude da França, que soube manter um cinema nacional quando outros países desprestigiaram as produções locais, entre eles a Itália, seu próprio país."Obrigado a este país que, diferentemente de outros, continua sempre reservando um lugar ao cinema", disse o presidente do júri, que conquistou a Palma de Ouro em Cannes em 2001 por "O quarto do filho"."É para mim uma grande honra, um grande privilégio, uma grande responsabilidade, ser presidente do júri do festival de cinema mais importante do mundo", acrescentou.  (Agência Estado).

16 de Maio

Moonrise Kingdom

É raro, nos dias atuais, um diretor ter um perfil claramente definido em seus filmes, ao ponto do espectador ser capaz de identificar de imediato sua assinatura. Woody Allen é um deles, mas vem de uma geração que começou a rodar seus primeiros longas ainda na década de 60. Entre os contemporâneos, Wes Anderson é um dos poucos casos existentes. Adepto de um estilo de comédia irônico, que aposta no desencontro de sentimentos em famílias desconexas, Anderson sempre impõe seu estilo em qualquer trabalho em que se envolva, mesmo quando é a adaptação de um simples livro infantil, como é o caso de O Fantástico Sr. Raposo.

Com Moonrise Kingdom não é diferente. Trata-se, mais uma vez, de um típico filme do diretor. Moonrise Kingdom’ é encantador, ocasionalmente comovente e por vezes perturbador, mas sempre atraente, como um filme de Wes Anderson deve ser. O realizador faz um esforço notório para nos mostrar que este é um filme seu, que ao início pode parecer demasiado espalhafatoso e óbvio, onde o estilo se sobrepõe ao contéudo. Mas uma coisa é certa, este é um filme nostálgico e apaixonado, sobre uma época onde não existiam celulares ou jogos de vídeo. É impulsivo e divertido, de uma maneira que só Wes Anderson consegue, mas não se consegue destacar das restantes obras da sua filmografia. Apesar de ser divertido (uma palavra que me surge sempre no pensamento) não me surpreendeu assim tanto.

Contado em apenas 90 minutos, ‘Moonrise Kingdom’ não é nenhum épico, mas mais uma história de amor contida. Dado o número de personagens envolvido, é incrível como Anderson nos consegue fazer sentir como se os conhecêssemos antes, apesar de por vezes eles surgirem por apenas alguns minutos. [...] ’Moonrise Kingdom’ pode agora ser considerado como o terceiro membro de experiências contidas e pessoais do realizador, juntamente com ‘The Life Aquatic with Steve Zissou’ e ‘Fantastic Mr. Fox’. (Agradecimentos a Rope of Silicon e Awards Daily, pela resenha).

‘Moonrise Kingdom’, como todos os filmes de Anderson, é muito bonito e divertido nesta abordagem da dor e da tristeza. O filme brilha, mas brilha no escuro, como uma luz suave e amena, mantendo o frio e a noite do mundo afastados, tornando este filme de Wes Anderson em algo muito especial.



terça-feira, 15 de maio de 2012

CANNES


"O Festival é uma nação apolítica, um microcosmos do que seria o mundo se os homens pudessem ter contatos diretos e falar a mesma língua". Jean Cocteau.

O Festival de Cannes, tão celebrada amostra filmográfica, terá seu início no dia 16 e se encerrará no dia 27 de maio de 2012.  Desde as suas origens, o Festival de Cannes é fiel à sua vocação fundadora: revelar e valorizar obras para servir a evolução do cinema, favorecer o desenvolvimento da indústria do filme no mundo e celebrar a 7ª arte a nível internacional.


BREVE HISTÓRIA DE CANNES

O Festival Internacional do Filme foi criado por iniciativa de Jean Zay, ministro da Instrução Pública e das Belas Artes, que desejava implantar em França um evento cultural internacional capaz de rivalizar com a Mostra de Veneza. Primeiramente previsto em 1939 sob a presidência de Louis Lumière (sim, um dos fundadores da Sétima Arte, juntamente com seu irmão, August Lumière e também George Mièles), só mais de um ano após o fim da guerra, a 20 de Setembro de 1946, foi aberta a primeira edição do Festival em Cannes. Ocorreram todos os anos em Setembro, exceto em 1948 e 1950, antes de se desenrolar no mês de Maio a partir de 1952.

O objetivo do Festival é encorajar o desenvolvimento de todas as formas da arte cinematográfica, bem como criar e manter um espírito de colaboração entre todos os países produtores de filmes. Artisticamente, é uma mostra cinematográfica em que tudo é permitido e que lançou a carreira de diretores como Quentin Tarantino e Steven Soderbergh. O festival se orgulha de eventos tão diversos quanto apresentações formais de filmes e filmes exibidos à meia-noite, na praia, e se transformou em um sistema complexo de eventos principais, mostras paralelas e premiações. Neste artigo, você saberá o que acontece durante o Festival de Cannes e por que ele é tão especial.

Nos anos 60, à margem da Seleção Oficial (explicada com mais detalhes, no próximo item) nascem duas seleções independentes: a Semaine Internazionale de La Critique em 1962 e a Quinzaine des Réalisateurs em 1969. Até 1972, os filmes que podiam aspirar à seleção eram designados pelo respectivo país de origem. A partir desta data, o Festival afirma a sua independência tornando-se único decisor da Seleção Oficial dos filmes. Em 1978, Gilles Jacob é nomeado Delegado Geral. No mesmo ano, cria a seleção Un Certain Regard e o prémio da Caméra d'Or que recompensa o melhor primeiro filme de todas as seleções.  A Lição de Cinema é inaugurada em 1991 por Francesco Rosi. Sucedem-se prestigiantes realizadores para darem conta do respectivo percurso de artista e visão sobre o cinema. Com o mesmo princípio, a primeira Lição de Música é dada em 2003 por Nicola Piovani e a primeira Lição de Actor por Max Von Sydow em 2004.

Em 1997, por ocasião da Cerimônia do 50º aniversário do Festival de Cannes, os maiores realizadores mundiais são reunidos em palco para entregarem a Palma das Palmas a Ingmar Bergman. Em 1998, Gilles Jacob cria a Cinéfondation, uma seleção de curtas e médias metragens de escolas de cinema de todo o mundo. A entidade desenvolve-se em 2000 com a abertura da Résidenceonde jovens realizadores vêm realizar a escrita dos respectivos argumentos e, seguidamente, em 2005, com o Atelier, que ajuda cerca de vinte realizadores por ano a encontrarem financiamentos para o respectivo filme. Projetadas no âmbito de retrospectivas temáticas até 2004, as obras do patrimônio são, a partir desta data, apresentadas em Cannes Classics, uma seleção que reúne as cópias restauradas, as homenagens às cinematografias e os documentários sobre o cinema. Em 2007, para festejar os 60 anos do Festival de Cannes, 33 dos maiores realizadores de todo o mundo são convidados a participar no filme de aniversário Chacun son cinéma, realizado cada um deles em 3 minutos, um curta-metragem sobre o tema da sala de cinema. Em 2010, a nova entidade “Cannes Curta-Metragem” reúne numa dinâmica complementar a Competição dos curtas-metragens e o Short Film Corner de modo a oferecer um panorama completo da criação mundial em formato curto.

A “SELECÇÃO OFICIAL” DE CANNES

Esta seleção valoriza a diversidade da criação cinematográfica através de diferentes aspectos e, em primeiro lugar, da Competição e de Un Certain Regard. Os filmes que ilustram o “cinema de autor destinado ao grande público” são apresentados na Competição, enquanto Un Certain Regard destaca obras originais quanto ao propósito e à estética. A Seleção Oficial assenta igualmente nos filmes Fora da Competição, nas Sessões Especiais e nas Sessões da Meia-Noite, Cannes Classics e na seleção Cinéfondation de filmes de escola.

Os filmes da Seleção Oficial são divididos em várias categorias:


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Wasting Light – Esses são os Foo Fighters!

         Conquistando cada vez mais fãs, a banda de rock norte americana Foo Fighters já adquiriu uma grande importância no atual cenário musical internacional. Formada em 1995 por Dave Grohl (vocalista principal e guitarrista), eles chamaram rapidamente a atenção das grandes gravadoras que se mostraram bem interessadas em investir nessa nova promessa.

                Com a voz diferenciada de Dave Grohl e seu estilo único de cantar, a combinação de sua guitarra com a dos guitarristas Chris Shiflett e Pat Smear, além da bateria característica de Taylor Hawkins, o grupo alcançou um aspecto único, um estilo diferente. Com essa nova sonoridade eles foram aperfeiçoando seu trabalho, ano após ano, e atraindo cada vez mais seguidores que encontravam em seu trabalho um som original e bem feito.

                Lançado em 2011, o álbum Wasting Light é a sua mais recente criação. Após uma pausa de quatro anos, a chegada dessa nova obra impressiona ao ouvinte que gosta de um bom rock. “Gravado na garagem do vocalista Dave Grohl, em Encino, Califórnia, o álbum forma um conjunto explosivo de 11 músicas de alta octanagem, extravasando de pura energia do rock de uma banda de 16 anos que está bem afiada e em seu estado bruto.” Gary Graff (Billboard*).





                Com introduções bem arranjadas, algumas feitas pela combinação das 3 guitarras, e mantendo seu estilo característico, esse novo trabalho mostra claramente quem são os Foo Fighters. Composto somente de músicas inéditas, o álbum nos traz muitas surpresas, como a participação do baixista Krist Novoselic, ex-parceiro de banda de Dave Grohl (que era baterista da banda Nirvana), na faixa “I Should Have Known”.

                Outro destaque desse álbum é a música “Walk”, última faixa do cd, que os levou a concorrer ao prêmio de melhor canção de rock no 54º Grammy Awards. Com uma introdução muito bem elaborada, e uma guitarra segurando os acordes abafados enquanto outra toca as notas dos acordes separadamente, Dave Grohl começa a cantar conduzindo a música. Ao final da primeira estrofe, todos os outros instrumentos se juntam a eles formando uma obra que se mostrou digna de alcançar o primeiro lugar na lista Billboard Rock Songs em julho de 2011. Essa música também participou da trilha sonora do filme Thor.

                Além da categoria de melhor canção de rock, o álbum concorreu também a outras 5 categorias, dentre elas as de melhor álbum do ano, melhor performance rock (também com a música “Walk”) e melhor performance Hard Rock/ Metal (com a musica “White Limo”).

                No site oficial da banda, Dave Grohl prometeu aos seus fãs, em dezembro de 2011, que trabalharia durante o ano de 2012 na composição de novas músicas para o oitavo álbum da banda. Ainda não se sabe como será esse álbum, mas, se for como o Wasting Light, pode-se esperar mais um grande trabalho.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Band of Brothers



Band of Brothers, conta a história da Companhia Easy, 506º Regimento da 101ª Divisão de pára-quedistas do exército norte-americano. A história começa em 1942, quando o exército norte-americano decide recrutar voluntários para uma arma que poderia decidir os rumos da guerra: uma divisão de soldados capazes de saltar atrás das linhas inimigas e combater a partir do interior da Europa. Influenciados por um artigo que havia sido capa da revista Time, durante quinze meses os soldados da Companhia Easy foram submetidos a um dos mais rigorosos treinamentos da história militar norte-americana.

São treze horas e vinte minutos (!) de vídeo, então o resumo abaixo é apenas a síntese da essência da série que é, dentro do tema, a melhor já elaborada até hoje. Vou ser bem sucinto e tentarei não entregar muitos spoilers. Cada episódio trata de focar em um determinado membro da Easy, o que significa que, ao final da série, você está familiarizado com todos eles e quer rever tudo desde o início, para prestar mais atenção à trajetória de cada um daqueles heróis. Desnecessário dizer que, com essa intimidade, cada baixa é sentida como se um membro da sua família estivesse partindo. Desnecessário também dizer que, a partir do terceiro ou quarto episódio, quando a maioria já é seu amigo íntimo, é difícil segurar as lágrimas com cada atitude de cada personagem.

Não bastasse essa proximidade causada por um casting perfeito (cheio de atores semidesconhecidos) e um roteiro sempre primoroso, cada episódio traz no prólogo depoimentos dos soldados sobreviventes nos dias atuais, senhores de idade cheios de cicatrizes e sabedoria. Eles não se apresentam: faz parte da graça da série tentar adivinhar quem é quem. Só no epílogo do último episódio é que eles se revelam, e aí não tem como não chorar.

Tudo começa em Currahee; são apresentados os principais personagens, mas o foco é definitivamente a relação da companhia com seu egocêntrico e arrogante capitão, Hebert Sobel. Após um treinamento cruel, intenso e extenuante, e sob a supervisão de um novo comandante, Thomas Meehan, a Easy Company finalmente embarca para a Inglaterra, se preparando então para seu lançamento sobre a Europa, em setembro de 1943. No dia D, a companhia desembarca na Normandia, inclusive no ataque de Brecourt Manour, sob a atenta ótica do Tenente Winters. 

Se você gostou, por exemplo, da cena inicial do filme o Resgate do Soldado Ryan, perceberá a magnitude, precisão e perfeição da filmagem da entrada do pelotão no continente europeu. O modo como a câmera se comporta e o realismo impecável da atuação dos personagens demonstra de maneira perfeita o fato e o ato histórico e de bravura a que foram submetidos na vida real. Mas, como enfrentar o medo da morte? Como Ronald Speirs diz “A única esperança é admitir que você já está morto.”